Pais pedem reembolso após levarem filhos para ver Buddy
Com estética de programa infantil, unicórnio colorido e fantoches, “Buddy” vem confundindo parte do público nos Estados Unidos, embora relatos de pedidos de reembolso ainda circulem principalmente pelas redes sociais.

Buddy, novo filme de terror dirigido por Casper Kelly, está provocando uma situação curiosa nos cinemas dos Estados Unidos. Relatos publicados nas redes sociais afirmam que alguns pais teriam comprado ingressos para os filhos acreditando que se tratava de uma produção infantil e só perceberam o engano depois que a sessão começou.
A confusão é compreensível à primeira vista. O longa foi criado para parecer exatamente um programa infantil dos anos 1990, com cenários coloridos, músicas, fantoches, crianças e um enorme unicórnio laranja chamado Buddy como apresentador. Só que essa aparência inocente é parte da proposta do filme. Buddy é uma comédia de terror para adultos, que transforma a linguagem de programas infantis em uma história violenta e perturbadora. Nos Estados Unidos, o longa recebeu classificação R, equivalente a uma recomendação para maiores acompanhados de responsáveis, por “violência sangrenta, algum conteúdo relacionado a drogas e linguagem — tudo envolvendo crianças”.
A classificação também aparece em plataformas como o Rotten Tomatoes, que lista oficialmente o longa como R e destaca que a produção contém violência sangrenta e outros conteúdos impróprios para crianças. Segundo o Dexerto, relatos de pais que entraram nas sessões sem perceber o gênero do filme começaram a circular depois da estreia. Algumas publicações mencionam pessoas procurando funcionários dos cinemas ou solicitando reembolso após descobrirem que não estavam diante de uma aventura infantil. Até o momento, porém, não existe confirmação de que esse tipo de situação esteja acontecendo de maneira generalizada. Os relatos partem principalmente de posts e comentários nas redes sociais, portanto não é possível determinar quantas famílias realmente cometeram o engano.
A confusão ganhou tanta atenção que alguns cinemas passaram a reforçar explicitamente em suas páginas de venda que Buddy é um filme de terror com classificação R, evitando que o cartaz e a estética infantil levassem espectadores a uma conclusão errada sobre o conteúdo. A própria campanha de divulgação brinca com essa ambiguidade. O material promocional utiliza cores vibrantes, cenários que lembram atrações educativas para crianças e um personagem que poderia facilmente pertencer a um programa no estilo de Barney e Seus Amigos ou Vila Sésamo. A diferença é que Buddy rapidamente abandona o comportamento amigável.
A história começa dentro do programa fictício It's Buddy!, no qual um grupo de crianças passa os dias cantando, dançando e aprendendo lições com o personagem. Quando uma delas se recusa a seguir as regras, porém, começam a surgir rachaduras naquele mundo aparentemente perfeito. A partir daí, o filme revela gradualmente que os personagens podem estar presos em uma realidade muito mais assustadora do que imaginavam. Keegan-Michael Key empresta sua voz a Buddy, enquanto o elenco também conta com Cristin Milioti, Topher Grace, Delaney Quinn, Michael Shannon e Patton Oswalt. Cristin Milioti interpreta Grace, uma mãe suburbana que começa a perceber que existe algo errado com sua realidade e acaba envolvida diretamente no universo do programa infantil. Já Delaney Quinn vive Freddy, uma das crianças que começa a desafiar Buddy e tentar compreender o que realmente está acontecendo naquele mundo.
A direção é de Casper Kelly, cineasta conhecido justamente por transformar formatos familiares da televisão em experiências estranhas e perturbadoras. Kelly ganhou projeção em 2014 com Too Many Cooks, curta exibido pelo Adult Swim que começa como uma sequência aparentemente interminável de abertura de sitcom e gradualmente se transforma em algo surreal e violento. Essa mesma lógica aparece em Buddy. O diretor utiliza a nostalgia por programas infantis das décadas de 1980 e 1990 como ponto de partida para uma sátira que mistura terror, humor negro e comentários sobre entretenimento produzido para crianças. O longa estreou originalmente no Festival de Sundance de 2026, dentro da programação Midnight, dedicada a produções de terror, fantasia e obras experimentais.
Nos cinemas norte-americanos, Buddy estreou em 28 de agosto de 2026 com distribuição da Roadside Attractions e da Saban Films. O filme também surpreendeu comercialmente. Em seu primeiro fim de semana, arrecadou aproximadamente US$ 5,3 milhões em pouco mais de 1,2 mil salas, superando as projeções iniciais para o lançamento. Na segunda semana, continuou entre os dez filmes mais vistos nos Estados Unidos, mostrando força acima do esperado para uma produção de terror de orçamento reduzido. A recepção crítica também tem sido positiva.
No Rotten Tomatoes, Buddy aparece atualmente com 89% de aprovação entre mais de 120 críticas, com o consenso destacando justamente a maneira como o filme transforma convenções alegres da televisão infantil em terror. O site Common Sense Media, especializado em orientar famílias sobre conteúdo audiovisual, recomenda o filme apenas para maiores de 16 anos e chama atenção para a presença de mortes, sangue, ferimentos e crianças em situações de perigo. Esse contraste entre aparência e conteúdo acabou se tornando parte da repercussão de Buddy.
Visualmente, o filme pode parecer um programa infantil perdido dos anos 1990; na prática, é uma produção construída justamente para subverter esse tipo de memória afetiva. Por enquanto, portanto, a história de pais levando crianças por engano às sessões deve ser tratada com cautela: existem relatos circulando na internet e veículos já repercutiram o fenômeno, mas não há evidências de que os pedidos de reembolso estejam acontecendo em larga escala.
O que é confirmado é que Buddy foi oficialmente classificado como terror para adultos, com classificação R nos Estados Unidos, apesar de toda a estética infantil utilizada propositalmente por Casper Kelly.


