Morre Gracindo Júnior, de O Bem-Amado
Filho de Paulo Gracindo, artista teve uma carreira de mais de 60 anos na televisão, no cinema e no teatro, com passagens por “O Bem-Amado”, “Roque Santeiro” e produções de “Os Trapalhões”.

Morreu nesta quarta-feira (2), aos 83 anos, o ator, diretor e produtor Gracindo Júnior, um dos nomes importantes da dramaturgia brasileira. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.
Filho do também ator Paulo Gracindo, um dos maiores nomes da história da televisão brasileira, Gracindo Júnior construiu uma trajetória própria ao longo de mais de seis décadas de carreira, atuando em novelas, filmes, peças de teatro e também atrás das câmeras.
Nascido Luiz Carlos Gracindo em 21 de maio de 1943, no Rio de Janeiro, o artista cresceu cercado pelo universo da atuação e estreou profissionalmente ainda jovem. Ao longo dos anos, tornou-se um rosto conhecido do público brasileiro por trabalhos em algumas das principais produções da televisão nacional.
Um dos papéis mais marcantes de sua carreira foi em O Bem-Amado, novela exibida pela TV Globo em 1973 e considerada um dos maiores clássicos da dramaturgia brasileira. A produção, criada por Dias Gomes, foi a primeira novela em cores da televisão brasileira e apresentou personagens que entraram para a memória do público.
A trama acompanhava o prefeito Odorico Paraguaçu, interpretado por Paulo Gracindo, personagem conhecido pelos discursos exagerados e pelo estilo político caricatural. A participação de Gracindo Júnior na produção ajudou a fortalecer a ligação da família com uma das obras mais importantes da TV brasileira.
Ao longo da carreira, o ator também esteve em outras novelas de grande repercussão, como Roque Santeiro (1985), outro marco da televisão nacional, além de Vale Tudo (1988), Renascer (1993), Explode Coração (1995) e A Indomada (1997).
No cinema, participou de produções como Se Segura, Malandro! (1978), O Homem Nu (1997) e outros projetos que atravessaram diferentes fases do audiovisual brasileiro.
Além da atuação, Gracindo Júnior também se destacou como diretor. Nos anos 1980 e 1990, trabalhou em produções televisivas e comandou projetos ligados ao humor, incluindo trabalhos relacionados ao universo de Os Trapalhões, um dos maiores fenômenos de audiência da televisão brasileira.
Sua trajetória também passou pelo teatro, onde atuou e dirigiu diversas montagens. O palco teve papel fundamental em sua formação artística e permaneceu como uma das áreas mais importantes de sua carreira.
Gracindo Júnior também era conhecido pela relação com o legado do pai. Paulo Gracindo, intérprete de personagens históricos como Odorico Paraguaçu e o Primo Basílio de O Casarão, deixou uma das marcas mais fortes da televisão brasileira, e o filho seguiu uma trajetória respeitada sem depender apenas do sobrenome.
Em entrevistas ao longo dos anos, Gracindo Júnior costumava destacar a importância da disciplina e da preparação no trabalho de ator, defendendo a valorização da dramaturgia e da formação artística.
Nos últimos anos, o ator continuou ligado ao meio cultural e participou de homenagens relacionadas à história da televisão brasileira.
Com sua morte, a dramaturgia nacional perde um artista que acompanhou diferentes períodos da televisão, desde a consolidação das grandes novelas até novas fases da produção audiovisual no país.
Gracindo Júnior morreu aos 83 anos, deixando uma carreira marcada por dezenas de novelas, filmes, peças e trabalhos como diretor, além de uma ligação histórica com uma das famílias mais importantes da arte brasileira.

