Supergirl tem pior desempenho da DC desde Mulher-Gato

Filme estrelado por Milly Alcock registra uma das menores bilheterias da história recente da DC e aumenta a pressão sobre o novo universo do estúdio.
Supergirl se tornou oficialmente o pior desempenho de um grande lançamento da DC nos cinemas desde Catwoman, filme estrelado por Halle Berry em 2004. De acordo com dados atuais de bilheteria, o longa soma cerca de US$ 108,8 milhões mundialmente, um resultado abaixo do esperado para uma produção de super-herói lançada em grande circuito.
O desempenho chama ainda mais atenção por causa do orçamento. Segundo estimativas do mercado, Supergirl custou cerca de US$ 170 milhões apenas em produção, sem contar todos os gastos de marketing e distribuição. Com isso, o filme dificilmente deve alcançar o ponto de equilíbrio nos cinemas, reforçando a percepção de que a produção se tornou um dos grandes tropeços comerciais recentes da Warner Bros. e da DC Studios. A comparação com Catwoman é simbólica. Lançado em 2004, o filme de Halle Berry arrecadou cerca de US$ 82,4 milhões no mundo contra um orçamento estimado em US$ 100 milhões. Desde então, mesmo lançamentos problemáticos da DC, como The Flash, Shazam! Fury of the Gods, Blue Beetle e Joker: Folie à Deux, conseguiram arrecadar mais do que Supergirl em bilheteria mundial. Estrelado por Milly Alcock como Kara Zor-El, o filme chegou aos cinemas como uma das apostas da nova fase da DC Studios, comandada por James Gunn e Peter Safran. A produção tem direção de Craig Gillespie e roteiro de Ana Nogueira, com uma proposta mais cósmica e emocional para a heroína.
Na trama, Kara Zor-El embarca em uma jornada intergaláctica após ser atingida por uma tragédia pessoal. A ideia era apresentar uma versão mais dura e marcada por perdas da personagem, diferente da imagem mais luminosa tradicionalmente associada ao universo do Superman. O problema é que o público não respondeu com a força esperada. A estreia já havia acendido o alerta, com números abaixo das projeções iniciais nos Estados Unidos e no mercado internacional. Mesmo com a marca DC, o apelo da personagem não foi suficiente para transformar o filme em um evento de bilheteria. A recepção também não ajudou. Embora Supergirl tenha sido defendido por parte dos fãs e elogiado por alguns elementos visuais e pela presença de Milly Alcock, a repercussão geral foi morna. O filme enfrentou críticas sobre ritmo, tom e dificuldade de se destacar em um mercado saturado de produções de super-heróis.
O resultado é especialmente delicado porque Supergirl faz parte dos primeiros passos do novo DCU nos cinemas. Depois de anos de instabilidade, mudanças de planejamento e fracassos comerciais, a DC Studios tenta reconstruir sua identidade audiovisual com uma nova linha criativa. O baixo desempenho também reacende uma discussão maior sobre o desgaste do gênero de super-heróis. Nos últimos anos, tanto Marvel quanto DC enfrentaram resultados irregulares com personagens menos conhecidos ou projetos derivados. Para parte do público, filmes de super-herói deixaram de ser eventos automáticos e passaram a depender muito mais de novidade, qualidade percebida e força dos personagens envolvidos.
No caso de Supergirl, a situação é ainda mais sensível porque o filme deveria ajudar a ampliar o novo universo da DC, mostrando que havia espaço para protagonistas além de Superman, Batman e Mulher-Maravilha. Com a bilheteria abaixo do esperado, a tendência é que o estúdio reavalie o peso de personagens secundários em grandes lançamentos para o cinema.
Ainda assim, o fracasso comercial não significa necessariamente o fim da personagem nas telas. Kara Zor-El segue sendo uma figura importante dentro da mitologia da DC, e Milly Alcock pode continuar ligada ao papel em futuras produções, dependendo dos próximos passos definidos por James Gunn e Peter Safran.