Roteirista da DC critica Lobo de Jason Momoa
Autor de “All-Star Superman” elogiou Milly Alcock, mas classificou a atuação de Jason Momoa como Lobo como uma das piores que já viu no cinema.

Grant Morrison, um dos nomes mais importantes da história recente da DC Comics, publicou uma análise de Supergirl e não economizou nas críticas ao filme — principalmente quando o assunto foi Jason Momoa como Lobo.
Em texto publicado em sua newsletter Xanaduum, Morrison afirmou que o longa “não era terrível, mas também não era especialmente ótimo” e reservou seus principais elogios para Milly Alcock, intérprete de Kara Zor-El. Segundo o autor, os melhores e mais emocionantes momentos da produção envolvem a protagonista, e Alcock entrega um trabalho convincente como Supergirl.
A avaliação sobre Momoa, porém, foi completamente diferente. Morrison contou que estava particularmente interessado em ver o antigo Aquaman da DC no papel de Lobo, justamente porque considerava o personagem muito adequado ao perfil do ator. O resultado acabou provocando uma das declarações mais duras de toda a análise. Para Morrison, a participação de Momoa foi “uma das piores performances” que ele já viu em um filme.
O autor ainda afirmou considerar o resultado especialmente difícil de entender porque, em sua visão, Momoa normalmente não é um ator ruim e Lobo parecia praticamente “feito” para ele interpretar. A declaração ganhou repercussão justamente porque a escalação havia sido recebida com bastante entusiasmo quando foi anunciada. Antes mesmo da criação do novo universo da DC nos cinemas, Momoa já havia manifestado publicamente interesse em interpretar Lobo.
Depois de viver Arthur Curry/Aquaman durante anos no antigo universo cinematográfico da DC, o ator finalmente assumiu o mercenário intergaláctico em Supergirl. Lobo aparece na produção como personagem coadjuvante, dentro da aventura cósmica protagonizada por Kara. O filme é dirigido por Craig Gillespie, com roteiro de Ana Nogueira, e se inspira principalmente na HQ Supergirl: Mulher do Amanhã, escrita por Tom King e desenhada pela brasileira Bilquis Evely.
Na trama, Kara cruza o caminho de Ruthye Marye Knoll, interpretada por Eve Ridley, uma jovem em busca de vingança contra Krem das Colinas Amarelas, vivido por Matthias Schoenaerts. Depois que Krem ataca Krypto, Supergirl acompanha Ruthye em uma jornada por diferentes mundos na tentativa de encontrá-lo. Morrison também criticou justamente esse ponto da história. Na avaliação do quadrinista, boa parte da estrutura do segundo ato poderia ter sido resolvida de maneira muito mais simples.
Segundo ele, Kara poderia simplesmente ter levado Krypto para um planeta com sol amarelo, permitindo que o animal recuperasse seus poderes e sua invulnerabilidade. Nesse cenário, a toxina utilizada contra Krypto deixaria de representar o mesmo problema e a busca pelo antídoto perderia boa parte de sua função narrativa. Morrison argumentou que essa possibilidade acaba enfraquecendo toda a perseguição a Krem. O autor também não demonstrou grande entusiasmo pelo vilão. Na mesma análise, classificou Krem como um antagonista pouco interessante e de baixo nível, usando um tom bastante mais duro com o roteiro e com o personagem do que com a própria protagonista.
A observação sobre Krypto chama atenção porque o ataque ao cachorro é uma parte importante tanto do filme quanto da HQ que serviu de inspiração para a produção. A própria DC já destacou que diversas cenas de Supergirl foram adaptadas diretamente de Supergirl: Mulher do Amanhã, incluindo o momento em que Krem atira em Krypto e o encontro inicial entre Kara e Ruthye. Lobo, por outro lado, não aparece na minissérie original publicada entre 2021 e 2022. O personagem foi incorporado especificamente à adaptação cinematográfica.
Curiosamente, Tom King já revelou que uma ideia inicial para a história dos quadrinhos envolvia justamente Lobo ao lado de Supergirl, antes de o projeto evoluir para a versão posteriormente publicada. Grant Morrison possui uma longa relação com o universo da DC. Ao longo da carreira, trabalhou com personagens e títulos como Batman, Liga da Justiça, Patrulha do Destino, Animal Man, Lanterna Verde e Superman. Entre suas obras mais conhecidas está All-Star Superman, série criada ao lado de Frank Quitely e que se tornou uma das principais referências utilizadas por James Gunn durante o desenvolvimento de Superman, primeiro longa do novo DCU.
Por isso, sua avaliação de Supergirl ganhou ainda mais atenção entre leitores de quadrinhos e fãs da nova fase cinematográfica da editora. Apesar das críticas, Morrison não rejeitou completamente o filme. A avaliação deixa claro que Milly Alcock foi o elemento que mais funcionou para o autor, principalmente nas cenas de maior carga emocional. Supergirl marcou o primeiro filme solo da personagem dentro do novo DCU comandado por James Gunn e Peter Safran.
Milly Alcock já havia aparecido rapidamente como Kara Zor-El em Superman antes de assumir o protagonismo de sua própria aventura. Além de Alcock, Momoa, Eve Ridley e Matthias Schoenaerts, o elenco reúne David Krumholtz, Emily Beecham e David Corenswet. Mesmo depois da recepção dividida do longa, Kara seguirá fazendo parte do universo compartilhado da DC. Já Lobo permanece como uma das maiores incógnitas depois da estreia, principalmente porque a escalação de Jason Momoa havia sido tratada como uma combinação praticamente natural entre ator e personagem.
Para Grant Morrison, pelo menos em Supergirl, essa promessa ficou longe de se concretizar. A crítica publicada pelo quadrinista resume bem o contraste de sua avaliação: Milly Alcock saiu como o principal destaque do filme, enquanto Jason Momoa recebeu algumas das palavras mais duras de todo o texto.


