Processo que acusa The Pitt de plágio avança na justiça
Tribunal de apelações manteve viva a ação do espólio de Michael Crichton, que acusa a Warner de transformar um projeto de revival de “ER” em “The Pitt”.

A disputa judicial envolvendo The Pitt e ER: Plantão Médico ganhou um novo capítulo. Um tribunal de apelações da Califórnia rejeitou a tentativa da Warner Bros. Television de encerrar antecipadamente o processo movido pelo espólio de Michael Crichton, criador de ER, mantendo aberta a possibilidade de que a discussão seja levada a um júri.
A ação é conduzida por Sherri Crichton, viúva do escritor e responsável por seu espólio, e sustenta que The Pitt seria, na prática, uma reformulação de um revival de ER desenvolvido anteriormente pela Warner. O argumento é que, depois que as negociações para recuperar a série original fracassaram, o estúdio teria reaproveitado elementos daquele projeto para criar uma nova produção com outro título, outra cidade e algumas mudanças na estrutura.
O caso está diretamente relacionado a um contrato firmado em 1994, quando ER começou a ser produzida. Segundo o espólio, o acordo estabelecia que continuações, remakes, spin-offs ou outras produções derivadas da série dependeriam da autorização de Crichton ou, após sua morte, de seus representantes. A família afirma que essas proteções também deveriam se aplicar a The Pitt caso a Justiça entenda que a nova série é derivada de ER.
Antes de The Pitt existir, um revival de ER chegou a ser discutido com John Wells, R. Scott Gemmill e Noah Wyle, nomes diretamente ligados à produção original. Wyle interpretou o Dr. John Carter em ER, enquanto Wells e Gemmill trabalharam criativamente na série. As negociações com o espólio de Crichton, porém, não chegaram a um acordo.
Pouco depois, The Pitt começou a tomar forma com parte dessa mesma equipe. Noah Wyle passou a interpretar o Dr. Michael “Robby” Robinavitch, enquanto John Wells assumiu a produção e R. Scott Gemmill se tornou showrunner. A nova série trocou Chicago por Pittsburgh e apresentou novos personagens, mas manteve a estrutura de um drama médico intenso ambientado em um pronto-socorro.
É justamente essa sequência de acontecimentos que sustenta a acusação.
O espólio de Crichton argumenta que The Pitt seria essencialmente o projeto de retorno de ER reformulado depois que a Warner não conseguiu chegar a um acordo para produzir oficialmente uma continuação. A defesa da Warner rejeita essa interpretação e afirma que as semelhanças apontadas fazem parte de convenções comuns do gênero médico.
Entre os elementos analisados pelo tribunal estão a ambientação em um pronto-socorro, o ritmo acelerado da narrativa, o uso constante de terminologia médica, pacientes com ferimentos gráficos, profissionais exaustos e médicos jovens sendo treinados dentro do hospital.
Os juízes entenderam que existem semelhanças suficientes para que a alegação seja analisada mais profundamente, mas isso não significa que a Justiça já tenha decidido que The Pitt é uma cópia ou um reboot não autorizado de ER.
Esse é um ponto importante.
A decisão atual não determina que a Warner violou o contrato de Michael Crichton e também não estabelece que The Pitt seja juridicamente uma produção derivada de ER. O tribunal decidiu apenas que o espólio apresentou argumentos e evidências suficientes para que o processo não seja encerrado nesta etapa.
A Warner tentava barrar a ação utilizando a legislação conhecida como anti-SLAPP, criada na Califórnia para proteger atividades relacionadas à liberdade de expressão contra determinados processos judiciais. O estúdio argumentava que uma ação envolvendo escolhas criativas de uma série televisiva não deveria avançar apenas por compartilhar características com outra produção médica.
O tribunal, porém, manteve a decisão anterior contra a Warner Bros. Television e permitiu que a discussão sobre uma possível violação contratual continue.
A decisão também trouxe uma vitória parcial para outros envolvidos no projeto. Noah Wyle, John Wells e R. Scott Gemmill não continuarão individualmente como réus, porque o tribunal considerou que não havia evidências suficientes de que eles soubessem que a criação de The Pitt poderia violar os direitos contratuais do espólio de Crichton.
O foco principal da ação, portanto, permanece sobre a Warner Bros. Television.
The Pitt estreou em 2025 e rapidamente se tornou um dos maiores sucessos recentes da HBO Max. A produção acompanha um turno de 15 horas dentro do pronto-socorro do Pittsburgh Trauma Medical Center, com cada episódio representando aproximadamente uma hora da jornada dos médicos e enfermeiros.
A comparação com ER acompanha a série desde antes de sua estreia, principalmente pela presença de Wyle, Wells e Gemmill. Ainda assim, os criadores sempre defenderam The Pitt como uma produção independente, construída para abordar desafios contemporâneos da medicina e dos profissionais de saúde.
Agora, essa diferença terá de ser discutida também judicialmente.
Com a derrota da Warner no recurso, o processo retorna às instâncias inferiores e poderá avançar para a fase de produção de provas, depoimentos e análise de documentos internos relacionados ao desenvolvimento dos dois projetos.
Caso as partes não cheguem a um acordo antes, um júri poderá ser chamado para decidir se The Pitt realmente viola as cláusulas contratuais relacionadas a ER.
Enquanto isso, a produção da série continua normalmente. A disputa judicial não determinou a suspensão de The Pitt nem interfere, neste momento, no lançamento de seus próximos episódios.
O processo, portanto, está longe de terminar. Mas a decisão representa uma vitória importante para o espólio de Michael Crichton, que agora terá a oportunidade de tentar provar que The Pitt nasceu de um revival de ER que simplesmente ganhou outro nome depois que as negociações fracassaram.


