PIOROU? Entenda crise na segunda temporada de X-Men '97
Saída de Beau DeMayo, reescritas na 2ª temporada e chegada de uma nova equipe criativa ajudam a explicar a sensação de mudança no rumo da animação da Marvel.

O final da 2ª temporada de X-Men '97 dividiu opiniões entre os fãs. Para alguns, a série manteve a força emocional e o ritmo de grandes eventos que marcaram sua estreia no Disney+. Para outros, a conclusão deixou uma sensação de mudança brusca, como se a história estivesse apontando para um caminho e, de repente, tivesse sido reorganizada para outro.
Essa percepção não surge do nada. A 2ª temporada de X-Men '97 é atravessada por uma troca importante nos bastidores da série: a saída de Beau DeMayo, principal nome criativo por trás da primeira temporada, e a entrada de uma nova equipe comandada por Matthew Chauncey. DeMayo foi demitido pela Marvel em março de 2024, pouco antes da estreia da primeira temporada. Naquele momento, ele já havia concluído parte importante do trabalho na segunda leva de episódios, o que significa que a nova temporada ainda carregava muitas ideias nascidas durante sua fase como showrunner.
A situação ficou mais complexa porque a Marvel decidiu seguir com a série, mas sem DeMayo no comando criativo da produção. Com isso, os roteiros da 2ª temporada passaram por revisões e reescritas, enquanto a equipe começava a preparar o terreno para uma nova fase.
Foi nesse contexto que Matthew Chauncey, roteirista de What If...?, entrou para assumir o posto de roteirista-chefe da 3ª temporada. Na prática, isso transformou a 2ª temporada em uma espécie de transição: ainda havia material criado ou estruturado por DeMayo, mas já existia um esforço para reposicionar a série sob outro comando. Esse detalhe ajuda a entender por que alguns fãs sentiram uma quebra de ritmo. A temporada ainda trabalhava com ideias herdadas da fase anterior, mas precisava ser reorganizada para levar X-Men '97 a uma direção diferente da originalmente planejada por seu antigo showrunner.
A polêmica ganhou ainda mais força por causa das declarações do próprio Beau DeMayo sobre o que teria sido sua versão do final. Segundo ele, a 2ª temporada originalmente teria 10 episódios, e não 9. O episódio final descartado teria resolvido a trama envolvendo Massacre, também conhecido como Onslaught, e aberto caminho para a Era do Apocalipse. Ainda de acordo com DeMayo, esse décimo episódio terminaria com Gambit libertando Bishop de uma prisão em uma realidade alternativa ligada à Era do Apocalipse. Os dois tentariam escapar enquanto eram perseguidos por uma versão maligna do Ciclope, em uma sequência que ele comparou à cena de Darth Vader no corredor em Rogue One: Uma História Star Wars. É importante destacar que essa é a versão de DeMayo sobre os planos originais. A Marvel não confirmou oficialmente esse episódio descartado, nem detalhou publicamente o quanto a temporada foi alterada após sua saída.
Ainda assim, as falas ajudam a explicar por que parte do público sentiu que a temporada estava preparando algo maior e terminou em outro lugar. Se a ideia original realmente envolvia Onslaught e Era do Apocalipse, o corte desse caminho exigiria mudanças estruturais no restante da história. Isso não significa que tudo o que foi ao ar tenha sido improvisado ou sem planejamento. Significa apenas que X-Men '97 parece ter passado por uma transição rara: uma temporada construída entre duas fases criativas diferentes, uma iniciada por DeMayo e outra já moldada pela nova equipe.
A primeira temporada foi muito elogiada justamente por seu senso de direção. A série conseguiu continuar a animação clássica dos anos 1990 sem parecer apenas nostalgia, atualizando temas políticos, conflitos de identidade e tragédias mutantes para um público contemporâneo. Por isso, qualquer mudança nos bastidores seria sentida com força. X-Men '97 não é apenas uma continuação animada. Para muitos fãs, ela se tornou uma das produções mais consistentes da Marvel nos últimos anos, especialmente pela forma como tratou personagens como Ciclope, Tempestade, Magneto, Vampira, Gambit e Jean Grey.
A 2ª temporada, então, ficou presa em uma expectativa complicada. Ela precisava dar continuidade ao impacto da primeira, lidar com a ausência de seu antigo showrunner e ainda preparar a série para uma nova etapa criativa. Nesse sentido, o final pode ser lido menos como um encerramento definitivo e mais como uma virada de chave. A partir daqui, X-Men '97 entra em uma fase que deve refletir com mais clareza a visão de Matthew Chauncey e dos novos roteiristas. Esse é o lado mais otimista da história.
A 3ª temporada não precisará partir de uma estrutura já montada por outra equipe para depois tentar remodelar tudo no meio do caminho. Pela primeira vez, o novo comando poderá desenvolver a temporada inteira sabendo exatamente qual direção quer seguir. A grande pergunta agora é se essa nova fase conseguirá manter o nível que transformou X-Men '97 em um fenômeno entre fãs da Marvel. A série ainda tem personagens fortes, grandes sagas dos quadrinhos para adaptar e uma base de público muito engajada. Mas também existe o risco de que a saída de Beau DeMayo seja sentida de forma mais clara daqui para frente. Afinal, ele foi uma peça central na identidade da primeira temporada e parte importante da estrutura inicial da segunda.
No fim, o final da 2ª temporada pode não ser apenas um episódio divisivo. Ele pode representar o ponto em que X-Men '97 deixa definitivamente a fase DeMayo para entrar em outra era.
Agora, cabe à nova equipe provar que os mutantes da Marvel ainda conseguem seguir fortes, mesmo depois de uma mudança tão grande nos bastidores.


