Jeremy Strong mergulhou em Zuckerberg para sequência de A Rede Social
Ator de Succession interpreta Mark Zuckerberg em O Outro Lado das Redes e revelou que entrou em contato com o fundador do Facebook antes do lançamento do filme.

Jeremy Strong levou sua preparação para O Outro Lado das Redes a sério. O ator, conhecido por Succession, interpreta Mark Zuckerberg no novo filme de Aaron Sorkin e revelou que chegou a enviar um e-mail para o fundador do Facebook após ser escalado para o papel.
Em entrevista à GQ, Strong contou que escreveu para Zuckerberg para dizer que encarava a responsabilidade da interpretação com seriedade. Segundo o ator, a intenção era deixar claro que ele estava se aproximando do personagem com respeito e preocupação com a veracidade da representação.
“Eu escrevi para ele”, afirmou Jeremy Strong, antes de brincar que provavelmente daria “um aneurisma” na Sony por revelar isso. O ator explicou que enviou a mensagem para dizer que levava “muito a sério” a responsabilidade de interpretar uma figura real ainda viva e tão presente na cultura contemporânea.
A Entertainment Weekly também repercutiu a entrevista e destacou que Mark Zuckerberg respondeu ao e-mail de Strong, embora o conteúdo da troca não tenha sido divulgado. Os dois, no entanto, ainda não teriam se encontrado pessoalmente.
A preparação do ator também chamou atenção pelo nível de imersão. Segundo a GQ, Strong adotou uma abordagem intensa para construir sua versão de Zuckerberg, mantendo-se muito próximo da voz, da postura e da lógica interna do personagem durante o processo.
O próprio ator reconhece o peso de assumir um papel como esse. Para Strong, interpretar uma pessoa real, viva e cercada por opiniões tão fortes é um desafio delicado, especialmente porque Zuckerberg se tornou uma das figuras mais polarizadoras da tecnologia moderna.
Mesmo sabendo disso, Jeremy Strong afirmou que não queria partir de uma leitura puramente condenatória. Ele disse saber que Zuckerberg é uma figura rejeitada por muita gente, mas defendeu que um ator não deve entrar em um papel real apenas com a intenção de condenar a pessoa que está interpretando.
Essa visão ajuda a explicar por que o ator se interessou pelo projeto. Para Strong, viver Zuckerberg é o tipo de papel que exige risco, compromisso e liberdade dentro de uma figura muito conhecida. Ele comparou o desafio a outros trabalhos recentes de atores interpretando personagens reais, como Sebastian Stan vivendo Donald Trump e Jeremy Allen White interpretando Bruce Springsteen.
O Outro Lado das Redes funciona como uma obra complementar a A Rede Social, filme de 2010 escrito por Aaron Sorkin e dirigido por David Fincher. Desta vez, Sorkin também assume a direção, em uma história que se passa anos depois da criação do Facebook.
O novo filme acompanha os desdobramentos dos Arquivos do Facebook, série de reportagens publicada pelo The Wall Street Journal em 2021 a partir de documentos internos vazados por Frances Haugen, ex-funcionária da empresa.
Na trama, Mikey Madison interpreta Frances Haugen, enquanto Jeremy Allen White vive o jornalista Jeff Horwitz, responsável pelas reportagens que revelaram informações internas sobre a atuação da plataforma em temas como desinformação, saúde mental de adolescentes, polarização política e segurança online.
Jeremy Strong assume o papel de Mark Zuckerberg no lugar de Jesse Eisenberg, que interpretou o fundador do Facebook em A Rede Social. A mudança de ator já colocava o filme diante de comparações inevitáveis, mas O Outro Lado das Redes parece interessado em outro momento da trajetória da empresa.
Enquanto A Rede Social olhava para a origem do Facebook e para os conflitos pessoais e empresariais de sua criação, O Outro Lado das Redes mergulha nas consequências do crescimento da plataforma e no impacto que suas decisões passaram a ter sobre a sociedade.
A escolha de Jeremy Strong reforça esse tom mais pesado. Depois de viver Kendall Roy em Succession, o ator se tornou conhecido por personagens atravessados por poder, ambição, culpa e contradição. Agora, ele leva essa intensidade para uma figura real que continua no centro de debates sobre tecnologia, política e cultura.
A própria fala de Strong mostra que ele enxerga o papel como uma responsabilidade, não apenas como uma imitação. O desafio não é só reproduzir voz, gestos ou aparência, mas tentar entender a lógica de alguém que se tornou símbolo de uma das maiores transformações sociais das últimas décadas.
Com isso, O Outro Lado das Redes promete ampliar o debate iniciado por A Rede Social. Se o primeiro filme perguntava quem era dono da ideia que mudou a internet, o novo parece interessado em outra questão: quem responde pelas consequências de uma rede que passou a moldar o mundo?
O Outro Lado das Redes estreia nos cinemas em 9 de outubro.


