Final de Lantenas deixou o fã à espera de um Lanterna Verde que nunca veio
A série entrega bons personagens e um drama policial consistente, mas termina deixando de lado justamente o espetáculo cósmico e a mitologia que muitos esperavam de uma produção dos Lanternas.

O final de Lanternas talvez tenha deixado mais clara do que nunca a principal contradição da série: ela sempre soube exatamente que tipo de história queria contar, mas passou oito episódios evitando justamente aquilo que boa parte do público esperava de uma produção sobre os Lanternas Verdes.
Não há uma grande batalha no encerramento, nenhuma explosão cósmica de escala gigantesca e muito pouco do espetáculo associado aos personagens nos quadrinhos. Em vez disso, a temporada termina como começou: uma investigação policial intimista, preocupada muito mais com trauma, medo, relações familiares e escolhas pessoais do que com a grandiosidade do universo cósmico da DC.
E isso não é necessariamente um problema por si só. Desde o início, Chris Mundy, Damon Lindelof e Tom King venderam Lanternas como uma espécie de thriller policial ambientado dentro do DCU, e a série de fato segue essa proposta até o fim. A investigação sobre a morte de Hal Jordan, interpretado por Kyle Chandler, funciona como motor da história, enquanto John Stewart, vivido por Aaron Pierre, passa boa parte da temporada tentando entender tanto o caso quanto a posição que deve ocupar naquele universo. O problema aparece quando se percebe que a mitologia dos Lanternas frequentemente funciona mais como pano de fundo do que como parte realmente indispensável da narrativa. Tirando os anéis, os Guardiões, Sinestro e algumas referências cósmicas, boa parte da história poderia existir como uma boa série policial praticamente sem o universo da DC.
Isso torna perfeitamente válida a frustração de quem esperava que a produção eventualmente utilizasse sua abordagem mais contida como preparação para algo maior. O final revela que Kerry Kane, interpretada por Kelly Macdonald, foi responsável pela morte de Hal ao tentar proteger o filho Noah, um híbrido ligado aos Manhunters. A revelação resolve o mistério que sustentou a temporada inteira, mas dificilmente possui o impacto que muitos imaginavam depois de oito episódios construindo a pergunta sobre quem matou um dos Lanternas Verdes mais importantes da história.
Algo parecido acontece com Sinestro. A presença do personagem, vivido por Ulrich Thomsen, naturalmente abriu espaço para inúmeras teorias sobre os Lanternas Amarelos, a Tropa Sinestro e uma expansão muito maior daquele universo. No fim, sua participação está diretamente ligada à criação de uma lanterna clandestina alimentada também pelo medo, mas o personagem permanece muito mais como uma promessa para o futuro do que como o grande elemento que poderia elevar a escala da primeira temporada. Noah foi quem o libertou para que ele construísse essa nova lanterna, que posteriormente acaba nas mãos de John.


