Feito Pipa é escolhido para tentar vaga no Oscar 2027 pelo Brasil
Longa de Allan Deberton foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país em Melhor Filme Internacional e já acumula prêmios em Berlim e Gramado.

Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, será o representante oficial do Brasil na disputa por uma vaga em Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. A escolha foi anunciada nesta quarta-feira, 16 de setembro, pela Academia Brasileira de Cinema, responsável por definir qual produção nacional será submetida à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
Ao todo, 15 longas-metragens estavam inscritos e habilitados para representar o país. A seleção aconteceu em duas etapas: primeiro, uma comissão formada por 15 profissionais escolheu seis finalistas; depois, o grupo voltou a se reunir para definir o representante brasileiro. Além de Feito Pipa, chegaram à etapa final 100 Dias, de Carlos Saldanha, A Fabulosa Máquina do Tempo, A Natureza das Coisas Invisíveis, Nosso Segredo, de Grace Passô, e Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins. É importante destacar que a escolha da Academia Brasileira de Cinema não significa que Feito Pipa já está indicado ao Oscar. O longa agora será inscrito oficialmente pela entidade brasileira na categoria de Melhor Filme Internacional e entrará no processo de seleção da Academia de Hollywood ao lado dos representantes enviados por outros países.
Para a 99ª edição do Oscar, o prazo de inscrição dos filmes internacionais termina em 30 de setembro de 2026. Depois disso, membros da Academia participam de uma rodada preliminar de votação para definir uma shortlist. Tradicionalmente, essa lista reúne 15 produções, que posteriormente disputam as cinco vagas oficiais da categoria. Os indicados ao Oscar 2027 serão anunciados em 21 de janeiro de 2027. A cerimônia acontece em 14 de março de 2027, no Dolby Theatre, em Los Angeles. A campanha de Feito Pipa chega respaldada por uma trajetória internacional importante. O filme teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2026, onde competiu na mostra Generation Kplus e saiu com dois dos principais prêmios da seção.
O longa venceu o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional de Melhor Filme da Generation Kplus. A produção também passou por festivais internacionais como Giffoni Film Festival, na Itália, Frameline, em São Francisco, e Shanghai International Film Festival, na China. No Brasil, o filme teve outra passagem importante pelo 54º Festival de Cinema de Gramado, onde se tornou o longa mais premiado da edição. Ao todo, conquistou quatro Kikitos: Melhor Direção, para Allan Deberton; Melhor Atriz, para Teca Pereira; Melhor Ator Coadjuvante, para Lázaro Ramos; e Melhor Filme pelo Júri Popular.
O jovem Yuri Gomes também recebeu uma Menção Honrosa por sua atuação. A história acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino de quase 12 anos que vive no sertão cearense com a avó Dilma, personagem de Teca Pereira. Gugu é apaixonado por futebol, dança e maquiagem e foi criado pela avó de maneira livre e afetuosa. A vida dos dois começa a mudar quando Dilma apresenta sinais de Alzheimer. Com medo de ser separado da avó e enviado para morar com o pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos, Gugu tenta esconder a gravidade da situação.
A relação entre pai e filho ocupa uma posição importante na história. Batista representa uma figura muito diferente daquela encontrada por Gugu dentro de casa com a avó, criando um conflito em torno de identidade, pertencimento, afeto e liberdade. O longa foi filmado em Quixadá, no Ceará, e utiliza a paisagem do sertão como parte fundamental da narrativa. As ruínas reveladas pelo recuo das águas de uma barragem também aparecem como elemento simbólico da história, ligando memória, passagem do tempo e o avanço da doença de Dilma. O roteiro é assinado por André Araújo e Allan Deberton e nasceu de memórias relacionadas à infância dos dois realizadores no interior do Ceará.
Além de Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, o elenco inclui Carlos Francisco, Georgina Castro, Alda Pessoa, David Santos, Beatriz Carwile, Luan Vasconcelos, Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios e Enzo Uejo. A produção é da Deberton Filmes e da Biônica Filmes, com distribuição nacional da Paris Filmes. A escolha de Feito Pipa também coloca novamente o cinema brasileiro na tentativa de manter uma sequência recente de grande visibilidade internacional. Nos últimos anos, produções nacionais voltaram a ganhar espaço nas principais premiações e festivais, aumentando a atenção internacional sobre filmes brasileiros durante a temporada de premiações.
Agora, o desafio passa por transformar o reconhecimento conquistado em Berlim, Gramado e outros festivais em uma campanha internacional capaz de colocar o longa entre os 15 pré-selecionados e, posteriormente, entre os cinco indicados ao Oscar. Essa etapa envolve não apenas a recepção crítica, mas também distribuição, exibições para votantes, divulgação e presença do filme no mercado norte-americano durante os próximos meses.
Feito Pipa estreia comercialmente nos cinemas brasileiros em 5 de novembro de 2026.
Antes disso, o longa já iniciou sua trajetória em sessões especiais e festivais, enquanto começa oficialmente a campanha para tentar garantir ao Brasil uma nova indicação na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027.


