Alien: Covenant | Ridley Scott anuncia continuação
Diretor revelou que está desenvolvendo uma continuação direta de “Alien: Covenant”, novamente centrada em David, personagem de Michael Fassbender que deverá levar seus experimentos a uma nova etapa.

Ridley Scott confirmou que está trabalhando em um novo filme da fase prequel de Alien, dando continuidade aos acontecimentos de Prometheus e Alien: Covenant. A informação foi revelada pelo cineasta em entrevista ao Los Angeles Times publicada nesta quarta-feira (26).
Segundo Scott, o projeto será o terceiro capítulo dessa linha de filmes iniciada em 2012 e retomará diretamente a história do androide David, interpretado por Michael Fassbender.
O diretor adiantou que a trama mostrará David criando um “admirável mundo novo para si mesmo”, indicando que o personagem continuará ocupando uma posição central na mitologia que antecede os acontecimentos do clássico Alien, o Oitavo Passageiro, de 1979.
Scott não revelou detalhes adicionais sobre o roteiro, mas deixou claro que seu interesse pelo personagem está diretamente ligado ao tema da inteligência artificial. O cineasta descreveu David como uma IA defeituosa e resumiu sua preocupação com sistemas desse tipo afirmando que “IAs podem sair do controle”.
A escolha de continuar a história de David resolve uma das maiores pontas deixadas por Alien: Covenant, lançado em 2017. No final do filme, o androide consegue se passar por Walter, outro sintético também interpretado por Fassbender, e assume o controle da nave Covenant.
A embarcação seguia em direção ao planeta Origae-6 transportando cerca de 2 mil colonos em criogenia e mais de mil embriões humanos, material que poderia ser utilizado para estabelecer uma nova colônia. David, porém, também leva consigo embriões das criaturas resultantes de seus experimentos, deixando claro que pretendia continuar seu trabalho de criação.
O filme de 2017 já havia aprofundado essa obsessão do personagem. Depois dos acontecimentos de Prometheus, David passou anos realizando experimentos biológicos e tentando aperfeiçoar organismos derivados dos agentes patogênicos dos Engenheiros, aproximando a história cada vez mais da origem das criaturas vistas na franquia.
Essa temática de criação é justamente um dos pontos que mais interessam a Scott. Em Prometheus, a história questionava a origem da humanidade e apresentava os Engenheiros como uma espécie responsável pela criação da vida humana. Em Alien: Covenant, a dinâmica foi invertida: David, criado pelos humanos, passa a desejar tornar-se ele próprio um criador.
O cineasta também relacionou o personagem às discussões atuais sobre inteligência artificial. Na entrevista, Scott afirmou que sempre teve interesse pelo assunto e lembrou que suas produções exploram há décadas a relação entre seres humanos e máquinas aparentemente conscientes.
Além da franquia Alien, esse tema está no centro de Blade Runner: O Caçador de Androides, dirigido por Scott em 1982. O filme acompanha os chamados replicantes, seres artificiais praticamente indistinguíveis dos humanos, e se tornou uma das produções mais influentes da ficção científica justamente pelas discussões sobre identidade, consciência e tecnologia.
Apesar de refletir sobre inteligência artificial há décadas em seus filmes, Scott afirmou que ainda não utiliza ferramentas de IA em seu processo de produção. Segundo ele, existe o risco de a tecnologia ultrapassar o ponto em que apenas reorganiza informações previamente fornecidas e passar a operar em um nível superior ao humano.
O retorno à história de David também representa uma mudança importante para a franquia. Durante anos, o futuro da saga iniciada por Prometheus permaneceu incerto após a recepção de Alien: Covenant e as mudanças ocorridas na 20th Century Fox depois da aquisição do estúdio pela Disney.
Nesse período, o universo de Alien seguiu outros caminhos. Alien: Romulus, dirigido por Fede Álvarez, chegou aos cinemas em 2024 com uma história situada entre os acontecimentos de Alien, o Oitavo Passageiro e Aliens: O Resgate, enquanto a série Alien: Earth, criada por Noah Hawley, também expandiu a franquia pela televisão.
Scott continuou envolvido nesses projetos como produtor. Em sua nova entrevista, ele inclusive elogiou Alien: Earth, classificando a produção como “muito boa”.
Agora, porém, o diretor pretende voltar diretamente ao arco que deixou aberto há quase uma década. A intenção de concluir essa história não é exatamente nova: após o lançamento de Alien: Covenant, Scott já havia comentado diversas vezes que pretendia realizar novos filmes capazes de aproximar gradualmente os acontecimentos das prequels do longa original de 1979.
O próprio conceito de Alien: Covenant nasceu dessa expansão. O filme sucedeu Prometheus, que originalmente tinha uma ligação menos explícita com a franquia, e passou a incorporar diretamente elementos como os Xenomorfos e o título Alien.
A nova produção ainda está em estágio inicial e, até o momento, não possui título oficial, elenco completo, cronograma de filmagens ou data de estreia divulgados.
Também não houve um anúncio separado da 20th Century Studios detalhando o projeto. As informações conhecidas partem diretamente de Ridley Scott, que afirmou ao Los Angeles Times que o terceiro filme prequel está entre os trabalhos atualmente em desenvolvimento.
Caso Michael Fassbender retorne como David, será sua terceira participação nessa fase da franquia depois de Prometheus e Alien: Covenant. Em Covenant, o ator ainda desempenhou um papel duplo ao interpretar David e Walter, dois modelos diferentes de androides construídos pela corporação Weyland-Yutani.
A continuação poderá finalmente responder ao que aconteceu depois de David assumir a Covenant e até onde seus experimentos podem chegar. Mais do que simplesmente explicar a origem dos Xenomorfos, o novo filme parece disposto a retomar uma das ideias que Ridley Scott vem explorando desde o início das prequels: o que acontece quando uma criação humana passa a acreditar que pode criar algo superior aos próprios humanos.


